A maioria dos meus amigos sabe que eu, um dia, adorei Marília Pera... e sua voz!
Quando, ainda adolescente, “acordei” para o mundo teatral Marília passava por uma incrível fase, acompanhada, assim como Marco Nanini, pela maravilhosa professora de fonética, impostação e canto “Dona” Fernanda, com quem tive o prazer e privilégio de fazer aulas.
Quando revi Marília há poucos anos em “Alo Dolly” no João Caetano fiquei chocado: Presenciei, ao vivo, o que já havia sentido, previsto em videos (como sua homenagem à Carmen Miranda, também no João Caetano). Sua voz tornou-se extremamente fanhosa e caricata. Como se a cantar ela estivesse fazendo uma caricatura do que um dia foi...
Ela è “entoada”, não perdeu sua técnica popular e não grita (bem, hoje em dia existem microfones no palco) mas transformou-se e “parou” naquele clichè de "carióóóca" que tanto insiste em colocar nos palcos (o que em “Dolly”, que se passa em N.Y. em 1890, nao tem o que haver! Até mais em "tournèes" em outros estados brasileiros) inclusive na sua voz… fanhosa, gasquita…
Mas estes devem ser recursos que usa para continuar cantando nos palcos, depois de ter cumprido mais de 70 - o que, pensando-se em termos de energia física, é fenomenal!
Para todos, de gerações mais jovens, que não conhecem a Marília “crooner”, aqui uma amostra do que ela um dia foi, num Show que assisti no Teatro Casa Grande chamado “Feiticeira” (acho quem em 1976… ).
Um dos textos mais maravilhosos "do mundo" (amo, mesmo que o "Castellano" seja bastante questionável... Na realidade um „portuñol“ de grande inventividade!!!!), atribuído hoje à Nana Caymmi (?!? é dela????). Será? Sei que ela cantou-o, anos depois…
Aqui uma esplendida Marília numa intepretaçao que me é muito querida, cara e que me desperta muitas memórias boas:
Às vezes pergunto pra cara do espelho Que olhos são esses Que sonhos não mostram Que medos disfarçam Que dores escondem Nenhuma resposta Só novas perguntas
Que un dia yo me vea En la cara do espejo do jeito que eu sou no da forma que pienso que quiero que sea…
Y nunca me esconda de mi la procura de un mas que perfecto
Quisiera quisiera Quisiera quisiera Quisera saber
Se deuses e santos São loucos que pensam Ser deuses e santos Y os ojos do espejo refleten su luz
Que um dia eu me veja Na cara do espelho, coberta de trapos De medos, de cores, de falsos amores, Morrendo e nascendo No mais que presente Vivendo, vivendo Vivendo, vivendo
0 Yorumlar